
Especialistas entendem que o teatro e as demais artes ajudam a diminuir a violência e contribuem para a saúde das pessoas (Adobe Stock)
A sociedade convive com muitos desafios nas mais diversas áreas. Seja na economia, na segurança pública, em educação ou outro setor, os problemas são variados e de difícil resolução. No entanto, para convidados de A Região em Pauta, a mudança desejada pela população passa pela cultura.
Esta avaliação é de três dos convidados que participaram do décimo fórum deste ano do projeto A Região em Pauta. Um deles, o secretário executivo de Cultura, Economia e Indústrias Criativas do Estado, Marcelo Assis, destacou que a arte tem o poder de transformar a realidade.
“A cultura tem transversalidade. Em saúde, segurança pública e todos os demais temas que são pautas, ela possui o papel fundamental de, provavelmente, ajudar a resolver boa parte dos problemas”, afirmou o gestor, apontando qual área é mais afetada, justamente, pela falta de acesso a equipamentos ou atividades. “A segurança pública sofre pela ausência de oportunidade de parte da sociedade”, enfatizou.
O escritor, poeta e coordenador da Casa das Culturas de Santos, Flávio Viegas Amoreira, seguiu a mesma linha de raciocínio de Assis. “Precisamos substituir o fuzil pelos violinos. Como? Com bibliotecas, centros culturais, contação de histórias nas escolas…”.
O artista indicou um caminho, por meio do qual governantes podem oferecer mais opções a pessoas de classes econômicas mais baixas. “(Faça) uso das escolas públicas do Estado no fim de semana como espaço de criatividade artística e cultural”.
Saúde
Quem também falou sobre o tema foi o ator, produtor e criador do Teatro do Kaos, de Cubatão, Lourimar Vieira. O especialista frisou que a arte carrega a condição de salvar vidas. “O teatro cura pessoas. Tenho alunos com depressão, Transtorno do Espectro Autista (TEA)”, citou, revelando que ele mesmo é prova viva de que a arte muda histórias.
“Sou suspeito. O teatro salvou minha vida de ansiedade e depressão. Tive um momento em que não fazia nada - vivia vegetando, tomando remédio. Aí, um médico psiquiatra me aconselhou a não tomar remédio e a voltar ao palco. Voltei e nunca mais tomei remédio. Já são quase 30 anos sem ingerir nada”, contou.
Ciente dos possíveis efeitos positivos, o secretário reconheceu a importância de “levar cultura a todas as pessoas de todas as partes do Estado. É intensificar o trabalho, para que os resultados sejam vistos, e consigamos comprovar que investir em cultura é investir em um futuro melhor. Isso permite pensar sobre o que está sendo feito hoje e vislumbrar um horizonte mais adequado para o que estamos passando”, disse Marcelo Assis.
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