Meu perfil

Desconectar

Facebook
Instagram
Twitter
Youtube
Whatsapp

Meu perfil

Desconectar

FUNDADO EM 1894 E ONLINE DESDE 1996

Roberto Paveck

Museu do Porto: passado que inspira o futuro

Recentemente reformado, tive o privilégio de revisitar o museu, agora com uma nova perspectiva, que só uma visita guiada pode proporcionar

Roberto Paveck

7 de fevereiro de 2025 às 06:52
(Vanessa Rodrigues/ AT)

(Vanessa Rodrigues/ AT)

No dia 2 de fevereiro, o Porto de Santos celebrou seus 133 anos, uma trajetória repleta de transformações, desafios e conquistas que evidenciam sua importância estratégica para o comércio exterior e o desenvolvimento da região. Desde sua fundação, o porto tem sido um eixo fundamental para a economia brasileira, escoando riquezas e conectando o país ao mundo.

Entretanto, acredito que a verdadeira compreensão dessa trajetória só é possível quando nos conectamos profundamente com sua história. E é justamente nesse aspecto que o Museu do Porto de Santos se destaca como o local perfeito para essa imersão. Recentemente reformado, tive o privilégio de revisitar o museu, agora com uma nova perspectiva, que só uma visita guiada pode proporcionar.

Durante a visita, pude explorar uma valiosa coleção de documentos, fotografias e peças históricas que contam a evolução do Porto de Santos, desde os tempos dos trapiches até os anos 1980. Entre os destaques estão parte da proa do cargueiro grego Ais Giorgis, que pegou fogo em 1974; a curiosa bicicleta sobre trilhos - o tetraciclo usado para inspecionar obras e operações portuárias -; e um computador de 1963, considerado o segundo a chegar ao país, adquirido pela Companhia Docas de Santos (CDS).

É inspirador perceber como os profissionais da época, mesmo sem os avanços tecnológicos de hoje, foram capazes de planejar e construir uma infraestrutura de ponta. Muitas das obras erguidas entre o final do século XIX e o início do XX permaneceram em operação até o fim da CDS nos anos 1980, e algumas, mais de um século depois, ainda desempenham um papel essencial no comércio exterior do país. Entre esses marcos, destacam-se trechos de cais que seguem em uso e a Usina de Itatinga, um exemplo notável da inovação daquele período.

Nesse contexto, a Companhia Docas de Santos desempenhou um papel essencial para o sucesso do porto. Os registros históricos indicam que a CDS foi, possivelmente, uma das empresas mais eficientes e visionárias do país em sua época. Além de administrar o porto, ela oferecia uma estrutura completa para seus funcionários, que ia desde a educação básica para os filhos dos trabalhadores até atendimento médico de ponta, disponibilizado por meio de sua associação de empregados, em instalações equipadas com o que havia de mais avançado naquele período.

No entanto, a visita deixa evidente que o verdadeiro motor do Porto de Santos sempre foram as pessoas. Dos primeiros imigrantes e trabalhadores portuários aos engenheiros e gestores que moldaram sua infraestrutura, cada um contribuiu para a construção dessa história. Destacam-se nomes como Guilherme Weinschenck, responsável pela construção do porto; Francisco de Paula Ribeiro, articulador dos investimentos de Gaffrée e Guinle; e José de Menezes Berenguer, que dedicou 26 anos à gestão portuária, deixando um legado inestimável.

Ao final, olhar para o passado é uma oportunidade para refletir sobre os desafios atuais do Porto de Santos. Em um mundo cada vez mais competitivo, a capacidade de planejamento e inovação continuam sendo essenciais. A história nos mostra que, mesmo com recursos limitados, é possível construir uma infraestrutura duradoura e impactante. Atualmente, com tecnologias avançadas e um mercado em constante transformação, o porto tem a oportunidade de se reinventar, mantendo o espírito visionário que o tornou referência.

Assim, para quem deseja conhecer de perto essa rica história, o Museu do Porto de Santos é um destino obrigatório. Localizado na Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, esquina com a Rua Conselheiro João Alfredo, no bairro Macuco, funciona de segunda a sábado, das 9h às 17h, com entrada gratuita. Além do acervo fascinante, a visita guiada conduzida pela equipe liderada por Jorge Valias torna a experiência ainda mais enriquecedora, revelando detalhes e curiosidades do porto mais importante do Brasil.

Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna. As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.
Utilizamos cookies e tecnologias semelhantes conforme nossa Política de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com essas condições.