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Marcelo Santos

Tensão lá fora, um certo alívio aqui no Brasil; entenda o cenário econômico

Apesar dos juros altos sugarem recursos da renda variável para a fixa, a Bolsa melhorou

Marcelo Santos

14 de março de 2025 às 21:37Modificado em 15 de março de 2025 às 13:46
( Reprodução/Pixabay )

( Reprodução/Pixabay )

Mesmo antes do americano ser tomado pelo pessimismo devido à política tarifária de Donald Trump, de potencial recessivo, o mercado brasileiro discretamente inverteu seu humor. Apesar dos juros altos sugarem recursos da renda variável para a fixa, a Bolsa melhorou seu desempenho, ainda que de forma comedida. Ao mesmo tempo, o câmbio ruiu da casa dos R$ 6,30 para R$ 5,80, onde tem permanecido nas últimas semanas. São mudanças importantes, ainda sujeitas a reveses, mas que exigem uma reanálise nos investimentos e abrir o olho para ativos de boa qualidade que ficaram baratos.

No ano passado, os juros altos americanos tiraram recursos dos emergentes e o mercado perdeu a confiança no governo devido à deterioração fiscal. Os EUA estabilizaram as taxas dos Treasuries e, no Brasil, a Faria Lima se consternou com a resistência do presidente Lula a cortar gastos ou concluiu que exagerou no pessimismo. O quadro agora é de medo de recessão nos EUA, sem quadro definitivo de inflação por lá, apesar dela poder voltar devido às tarifas de Trump sobre importados.

O que se tem de concreto é que o Ibovespa, que no ano passado caiu 10%, desde janeiro último subiu 4,45%. O Ifix, Índice de Fundos Imobiliários, um dos investimentos preferidos pela classe média devido ao pagamento mensal de dividendos, afundou 5,89% – em 2025 ganha 2,7%. Nas ações, as empresas exportadoras valorizaram em parte do ano passado devido à alta do dólar, enquanto as varejistas, que dependem do bolso do consumidor e de muito crédito para vender a prazo e fazer estoque, perderam feio. Magazine Luiza caiu 69% em 2024. Desde janeiro, a lojista acumula alta de 30%, mesmo com juros altíssimos ameaçando suas vendas.

Entre as várias análises já divulgadas, como volta de estrangeiros, especulação com aluguel de ações e ativos desvalorizados chamando a atenção e empresas com balanços altamente lucrativos, alguma calmaria, mesmo que frágil, tenta se firmar na Bolsa. Daqui para frente, tudo vai depender do impacto de Trump nos países ricos, o que prejudica o saldo comercial brasileiro, mas que pode atrair capitais para a Bolsa ou para os títulos brasileiros, estabilizando o dólar. Mas não se deve descartar nova crise na relação do mercado com Lula em caso de mais medidas populistas pesando nas contas públicas.

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