
(Gerada por IA)
Francisco levava uma vida tranquila. Recebia uma aposentadoria razoável e gozava de boa saúde. Todas as manhãs caminhava na praia e praticava exercícios. De vez em quando, um mergulho no mar. Quem o via não dizia que tinha 71 anos. Divorciado, morava sozinho.
Os dias passavam dentro de uma calmaria que muitos poderiam invejar. Até que, uma noite, Francisco teve um sonho sobrenatural. Viu diante de si um homem louro, de cabelos compridos, que o fitava no fundo dos olhos. Com um tom de voz grave, disse que estava na hora de Francisco abraçar a sua missão: ser um “super-herói” de verdade e lutar contra os malfeitores. Advertiu que ele não deveria ser reconhecido por ninguém, para que jamais o ego e a vaidade se sobressaíssem. Teria de adotar um disfarce e promover o bem no anonimato.
Tal mensagem o deixou profundamente impactado. Nunca havia tido um sonho tão real. “Sim, foi uma mensagem de outra dimensão, um chamado”, pensou. Naquele dia, Francisco foi à praia muito pensativo e pediu um sinal, algo que mostrasse como ele poderia virar o defensor dos injustiçados. Pensou nos super-heróis que o mundo já conhecia e que tantas vezes vira nos gibis. Homem-Aranha, Superman, Batman e Robin, Mulher Maravilha...cada um com poderes extraordinários!
Francisco não voava, não tinha um batmóvel, tampouco poderia escalar prédios. Na vitrine de uma loja, quando voltava para casa após caminhar por muitos quilômetros, viu o sinal dos céus que esperava: uma linda patinete elétrica preta e vermelha, novinha. Sim. Este seria o seu veículo. Um super-herói diferente, que andava de patinete pelas ruas da cidade para defender os mais fracos.
Comprou a patinete e escolheu roupas pretas. Para disfarçar o rosto, resgatou do fundo do armário um chapéu estilo ‘pescador’ que tinha guardado. Convicto de que deveria cumprir o seu dever, saiu de casa à noite, preparado para enfrentar o que viesse pela frente. Percorreu ruas e avenidas sob olhares curiosos.
Francisco estava dominado por uma coragem inexplicável, algo que nunca sentira na vida. Viu quando a criança escapou da mãe e correu para o meio da avenida para tentar alcançar um cachorrinho que brincava do outro lado da via pública. Quantos carros! Uma tragédia estava prestes a acontecer! Acelerou a patinete loucamente e, como se uma força sobre-humana o empurrasse, abraçou a criança antes do carro que bruscamente tentava frear, levando-a sã e salva para os braços da mãe. A mulher mal conseguia agradecer, pois chorava e tremia, nervosa e incrédula.
Com o sentimento de dever cumprido, o herói da patinete elétrica não disse nada. Apenas sorriu e seguiu o seu destino, percorrendo os diferentes bairros da cidade, convicto de que sua missão estava apenas no início. Ao voltar para casa, já alta madrugada, sentiu um cansaço que nunca sentira, um cansaço tão grande quanto a sua alegria pelo bem que havia praticado. Ao fechar os olhos, sonhou de novo com o homem de cabelos compridos. “Agora, a sua missão é do lado de cá”.
Na manhã seguinte, o super-herói da patinete elétrica foi encontrado já sem vida pela diarista. Deitado em sua cama, tinha uma expressão serena e um misterioso sorriso nos lábios. Um mistério que só os super-heróis da vida real conseguem decifrar.