
(Reprodução/Redes Sociais)
No final de 1977, ao lado do amigo Valter, Paulo Tendas partiu para a sua primeira temporada no Havaí, uma viagem de descobrimento e altas ondas. Na temporada 1982/83, em sua segunda viagem ao arquipélago, Tendas tornou-se o segundo surfista brasileiro a sair com destaque na revista Surfing, numa foto de capa que imortalizou o surfe paulistano nas ondas de Sunset.
Na terceira e derradeira viagem ao Havaí, no inverno de 1986/87, Paulo Tendas protagonizou um eletrizante episódio em Rock Point. Subindo pela Freeway, passando o morro, ficava o casarão da Miss Milly, uma senhora havaiana bastante influente na comunidade local. Ela criava porcos e galinhas em suas terras, e na parte superior da propriedade mantinha uma hospedaria para estrangeiros, normalmente surfistas que buscavam as ondas de Rock Point, no North Shore havaiano.
Era o primeiro inverno do santista Almir Salazar no Havaí. Os irmãos Salazar e outros brasileiros surfavam Rock Point naquele final de tarde da histórica temporada. Num determinado momento, Almir pegou uma onda e na execução de uma das manobras espirrou água sobre um havaiano. O surfista não gostou e querendo impor a força do localismo, intimidou o brasileiro. Picuruta saiu em defesa do irmão e o pau comeu entre brasileiros e havaianos.
Dispostos a levar a briga adiante, os havaianos descobriram o paradeiro dos brasileiros e foram até a casa da Miss Milly. Paulo Tendas, sabendo do ocorrido com os brasileiros, se dirigiu até a propriedade, colocou-se à frente dos brasileiros, ameaçou chamar a polícia de imigração e conseguiu apaziguar os ânimos dos locais, estabelecendo a paz. Depois, num ato corajoso, vestiu a camisa da seleção brasileira e foi surfar no Backdoor de Pipeline. O episódio tornou-se uma lenda e tempos depois ainda se ouvia falar sobre ele e os santistas.
O legado de Paulo Tendas foi além do mar. O paulistano radicado em Guarujá fez parte de uma série de reportagens chamada Southern Cone Expedition, junto aos fotógrafos da Surfer e outros surfistas internacionais, em artigos que se espalharam pelo Brasil, Uruguai, Argentina e Chile.
Devido ao seu bom relacionamento com a revista internacional, Paulinho trabalhou na Surfer Brasil, junto ao publisher Carlos Lorch, seu companheiro na histórica viagem a Cuba, em plena Guerra Fria. Ele era o diretor comercial e uma das razões do sucesso da publicação. Paulinho também criou uma marca de surfwear, a Expedition. Seu projeto de vida era tornar-se um grande profissional fora d’água, atuando na indústria do surfe. Um sonho que começou na adolescência, quando ele e Valter fabricaram algumas pranchas, com a marca Pawa Surfboards.
A força de sua personalidade também estava na velocidade com que encarava tudo na vida. No reveillon costumava passar a meia noite no mar para ser o primeiro surfista a pegar uma onda no novo ano. A morte também veio prematura, com um terrível assassinato, em 29 de dezembro de 1989.
Sua breve vida repleta de acontecimentos deixou um rastro de admiração e amor. Desde os tempos das Astúrias, ao lado dos amigos Olavo Rolim, Zé Roberto, Luís Mello, Roberto Teixeira, Valter Pieracciani, entre outros, Paulinho Tendas construiu memórias e deixou um legado que sobrevive ao tempo.
Paulinho foi casado com Paula e juntos tiveram uma filha, Amanda.
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Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal