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Polícia

Nova Operação Escudo será eficiente? Representante dos policiais civis comenta

‘Confronto por si só não basta', diz o presidente do Sinpolsan, Renato Martins, sobre a Operação Escudo

Bárbara Farias

29 de janeiro de 2024 às 06:47
O soldado PM Marcelo Augusto da Silva foi morto a tiros na sexta-feira (26), na Rodovia dos Imigrantes; ele integrava efetivo da Operação Verão em Praia Grande

O soldado PM Marcelo Augusto da Silva foi morto a tiros na sexta-feira (26), na Rodovia dos Imigrantes; ele integrava efetivo da Operação Verão em Praia Grande ( Foto: Reprodução/Redes Sociais )

A morte do soldado PM Marcelo Augusto da Silva, na última sexta-feira (26), levou a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo a deflagrar novamente a Operação Escudo na Baixada Santista, no Litoral de São Paulo. O policial foi assassinato a tiros quando voltava para casa de moto, durante a madrugada, na Rodovia dos Imigrantes, em Cubatão. O objetivo da ofensiva é localizar e prender os envolvidos. Mas, para o presidente do Sindicato dos Funcionários da Polícia Civil de Santos e Região (Sinpolsan), Renato Martins, o combate ao crime começa com ações preventivas, desarmamento e aparelhamento das polícias.

“Precisamos de menos impacto e mais inteligência. O confronto verificado no Guarujá (Operação Escudo deflagrada entre julho e setembro de 2023) não impediu o triste saldo de cinco policiais mortos nessa semana. Isso por si só revela que só o confronto não basta. É imprescindível a reestruturação da Polícia Civil, da investigação, da inteligência com objetivo de desestruturar, desorganizar, prender e acabar com a impunidade”, afirma o presidente do Sinpolsan, Renato Martins.

Na avaliação de Martins, “a operação é a resposta imediata e necessária desde que se tenha a responsabilidade de desenvolver política de segurança séria com objetivo claro, que é desarmar e mudar a realidade da população, passando pelo combate à desigualdade social, entre outras coisas. O fato é que não se pode seguir alimentando ambiente hostil com polícias desestruturadas e a pena de morte aplicada aos policiais, em grande parte por culpa de um estado que não traz respostas sérias e eficazes para impedir a continuidade”.

O presidente do Sinpolsan cita ainda a Operação Verão que, na sua avaliação, existe para compensar a deficiência de pessoal na segurança pública. “Esse déficit é o que justifica, por exemplo, o deslocamento do policial de Diadema para a Baixada Santista, que veio em busca de complementação de salário, trabalhando no horário de folga”.

“A falta de efetivo de cerca de 30% de policiais na Região é o que obriga uma Operação Verão para amenizar a situação. E o baixo salário faz com que policiais tenham que trabalhar na folga para buscar um salário mais digno”, complementa.

Por fim, Martins acrescenta que “operações são ferramentas importantes sendo utilizadas como parte do objetivo, da estratégia, mas não representam solução em si. O importante é a responsabilização dos autores para que haja uma resposta e sinalização de não haver impunidade, e que a própria população não se sinta vulnerável, pois quando agentes da segurança são atingidos, o que se pode esperar da sociedade?”.

Operação Escudo

Sobre a Operação Escudo, a Secretaria de Segurança Pública do Governo do Estado (SSP) informou, em nota que, além do “batalhão local”, a operação contará com o reforço da tropa de choque. Mas, não informou o número de oficiais que serão destacados.

Quanto às circunstâncias da morte do soldado PM Marcelo Augusto da Silva, a SSP informou que ele “voltava para casa de moto pela Rodovia dos Imigrantes quando foi surpreendido e baleado por criminosos. O socorro da rodovia foi acionado e constatou a morte do PM no local. A arma dele não foi localizada”. O crime ocorreu por volta das 2h37 de sexta-feira (26), no km 63, da Pista Norte, sentido São Paulo. O PM integrava o 38º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) de São Paulo e atuava junto ao efetivo da Operação Verão em Praia Grande.

Ainda na sexta-feira, o secretário estadual de Segurança Pública, Guilherme Derrite, anunciou a retomada da ofensiva em suas redes sociais. “Nossos serviços de inteligência das polícias já estão trabalhando para identificar os criminosos que mataram o soldado Marcelo Augusto da Silva, em Cubatão. Estamos realizando saturação nas imediações do crime. Isso não ficará impune. Meus sentimentos aos familiares e amigos”.

Operação Escudo em Guarujá

A Operação Escudo foi realizada entre julho e setembro de 2023 para prender os suspeitos do assassinato do soldado Patrick Bastos Reis, policial da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), em Guarujá. Durante as ações, que duraram cerca de 40 dias, 28 pessoas foram mortas. A operação foi alvo de denúncias de abusos e de episódios de violência policial como forma de retaliação à morte do soldado.