
O fenômeno é conhecido como ‘maré vermelha’ (Reprodução / Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)
Uma mancha vermelha surgiu nas regiões de São Sebastião e Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo, e se espalhou pelo mar desde o começo de janeiro. Esse evento, chamado de ‘maré vermelha’, é caracterizado pela presença de manchas dessa cor na superfície do mar e é provocado pela alta concentração de microrganismos.
Apesar de o Mesodinium rubrum, responsável pelas manchas na maré, não ser tóxico, ele pode afetar o ecossistema marinho, conforme informado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Além disso, a população é recomendada a seguir as orientações das autoridades locais e a evitar o contato com áreas onde as manchas vermelhas são perceptíveis.
O fenômeno também pode ocorrer devido aos dinoflagelados. Quando a mancha vermelha envolve esses organismos, ela pode causar problemas para os seres marinhos e para pessoas que entrarem em contato com a água ou alimentos contaminados pelas toxinas produzidas por eles durante seus processos metabólicos, como explica o biólogo Ricardo Samelo.
“Estas substâncias podem intoxicar o organismo humano, que, em alguns casos, apresenta sintomas como náuseas, dor de cabeça, irritações na pele e mucosas, diarreias e outros transtornos gastrointestinais”.
O biólogo afirma que, quando o evento envolve o Mesodinium rubrum, os riscos diretos à saúde são inexistentes, pois eles não são prejudiciais e não produzem toxinas. No entanto, esses organismos podem gerar problemas ambientais e servem de alimento para dinoflagelados do gênero Dinophysis, que podem produzir toxinas perigosas para a saúde humana.
O monitoramento do fenômeno está sendo realizado pelo Laboratório de Instrumentação de Sistemas Aquáticos (LabISA) da Divisão de Observação da Terra e Geoinformática (DIOTG) do Inpe, em parceria com o Centro de Biologia Marinha da USP (CEBIMar) e com o Geospatial Computing for Environmental Research Lab (GCER), da Mississippi State University, nos Estados Unidos.
Prefeituras
A Prefeitura de São Sebastião diz ter participado, no último dia 4, de uma coleta de mexilhões na Praia de Toque-Toque Grande e na Praia da Cigarra, em parceria com a Coordenadoria de Defesa Agropecuária, do Governo Estadual, com a finalidade de manter o controle higiênico-sanitário dos mexilhões destinados ao consumo humano.
O controle foi reforçado diante da recente observação do fenômeno da "maré vermelha", registrado em janeiro no Canal de São Sebastião e Ilhabela. A análise confirmou a predominância do Mesodinium rubrum, que não é tóxico, "mas reforça a necessidade de monitoramento contínuo para prevenir impactos ambientais e riscos à saúde pública".
A Prefeitura de Ilhabela informou que acompanha o deslocamento da mancha e, de acordo com o grupo de trabalho intersecretarial, até agora não foram identificadas algas tóxicas nos materiais coletados. Ainda assim, o município reforça a recomendação de evitar nadar ou praticar esportes náuticos em locais com manchas de coloração suspeita.